“Segundo cérebro”, o intestino tem impacto na saúde mental;

Na última década, os avanços da ciência nos permitiram entender melhor como funciona o corpo humano. A grande surpresa trazida por essa onda de conhecimento tem a ver com a intuição. Com 9 metros de comprimento e cerca de 500 milhões de células nervosas, não é mais considerado um órgão de digestão, absorção e transporte de nutrientes, mas também adquiriu o status de “parte pensante” do corpo.

Isso tudo porque estudos recentes mostram que o intestino tem impacto sobre nosso humor, sono, comportamento e até transtornos mentais – ele deve ter desempenhado um papel por muito tempo, porque algumas mudanças evolutivas promoveram a rede de neurônios digestivos. uma melhor “compreensão” dos vários alimentos que comemos.

As vantagens dessa evolução são enormes: ao “entender” os tipos de alimentos que ingerimos, o intestino pode rejeitar ou eliminar os alimentos considerados tóxicos, ou perigosos, e aproveitar melhor aqueles ricos em nutrientes, vitaminas, minerais e alimentos energéticos.

Reforçando as defesas do intestino

Essa rede de neurônios atua de forma autônoma e realiza uma série de tarefas importantes para o nosso corpo. Por exemplo, seu trabalho é regular a atividade endócrina das células do trato gastrointestinal. Também atua no sistema imunológico, estimulando a produção e o transporte de células de defesa (chamadas linfócitos).

Aliás, essa parte também é afetada pelas bactérias que preenchem o intestino e formam a microbiota (anteriormente chamada de “microbiota intestinal”). Além de desempenhar um papel importante na digestão e absorção de nutrientes, produzindo substâncias que auxiliam na digestão e na obtenção dos nutrientes necessários para a sobrevivência, também aumentam nossa capacidade de defesa ao evitar que patógenos infecciosos invadam nosso corpo e causem doenças.

Alguns estudos demonstraram que a falta de bactérias intestinais benéficas ou o aumento de bactérias consideradas prejudiciais (quando a microbiota está desequilibrada, um problema denominado disbiose) pode causar inflamação e doenças gastrointestinais. Esse desequilíbrio também está relacionado a problemas como diabetes, obesidade e úlceras estomacais.

Contribuição na saúde mental

Os distúrbios ecológicos também são considerados uma das causas dos problemas do sistema nervoso (como a insônia). “Além de estar associado a distúrbios do espectro do autismo, também parece afetar doenças neurológicas como Alzheimer, doenças neurodegenerativas e acidente vascular cerebral (AVC),” BP-A Beneficência Portuguesa e São Paulo Gastrointestinal Acrescentou a cientista da doença Luana Luz. Clinic Gastrofig.

Mas não são apenas os aspectos físicos do sistema nervoso afetados pelos intestinos. Comportamentos e sentimentos também podem ser causados ​​por ela.

Isso ocorre porque a rede neural que existe no órgão é responsável por controlar a liberação de mais de 30 neurotransmissores, incluindo dopamina (relacionada ao prazer e motivação) e serotonina (ajuda a regular o humor, sono e apetite).

Por causa de todos esses efeitos, não é de se admirar que o intestino tenha ganhado o apelido de “Segundo cérebro”. Segundo Júlio Barbosa Pereira, estima-se que 50% da dopamina e 90% da serotonina em nosso corpo (ou seja, quase toda a ação) são processadas no intestino.

Portanto, não é exagero dizer que o desequilíbrio funcional desse órgão pode causar baixa autoestima, ansiedade, compulsão, depressão e até alucinações.

Alguns estudos provaram isso. Por exemplo, em 2011, um estudo da Universidade de Cork, na Irlanda, provou que o Lactobacillus rhamnosus é uma bactéria que vive no intestino e pode alterar as condições físicas e emocionais de ratos que ingerem uma dose extra de microrganismos na alimentação. O resultado é que os animais ficam mais dispostos e relaxados após ingerir bactérias.

Para ter certeza, outros testes foram realizados e o efeito foi realmente confirmado. Então, em 2013, esses experimentos evoluíram para humanos. Um estudo da Universidade da Califórnia concluiu que bifidobactérias, estreptococos, lactococos e lactobacilos causam alterações no sistema digestivo, e essas alterações também têm impacto no cérebro: responsáveis ​​pela percepção da dor, temperatura, fome e diminuição da atividade da área tátil, e as conexões daqueles que administram a atenção e o controle emocional se expandem.

Alimentando as bactérias

Compreender a conexão entre o cérebro e os intestinos e como isso afeta nossa saúde física, especialmente a saúde mental, só fortalecerá a importância de manter hábitos de vida saudáveis. Manter uma alimentação diversificada, balanceada e de alta qualidade, além de exercícios regulares e o uso de ferramentas como a meditação para controlar o estresse e as emoções do dia a dia são atitudes para manter a estrutura positiva da nossa microbiota, disse Edvânia Soares, nutricionista com especialização em clínica pesquisa, da Estima Nutrição em São Paulo Nutrição geral e nutrição esportiva.

Por outro lado, a ingestão de carboidratos, alimentos industrializados e bebidas alcoólicas acima do recomendado, aliada ao uso frequente de antibióticos e anti-inflamatórios, desequilibram a flora intestinal. Carne em excesso, alimentos fritos, alimentos ácidos, gordurosos e pouca ingestão de água também contribuem para essa instabilidade, que pode levar ao surgimento de alergias e tornar a doença de Crohn e pacientes com síndrome do intestino irritável. A condição piorou.

Para evitar essas complicações e promover a proliferação de bactérias consideradas benéficas, os nutricionistas recomendam manter uma dieta variada, pois o consumo de pequenas quantidades de alimentos costuma prejudicar a microbiota.

Além disso, se for necessário reorganizar o ecossistema bacteriano, pode-se usar (sempre sob orientação profissional) alimentos ingeridos ou cápsulas probióticas (contendo microrganismos vivos para preencher o intestino) ou prebióticos (alimentos que favorecem a proliferação intestinal) bactérias). Como último recurso, síndromes e inflamações mais graves também podem ser usadas.

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