Como se mede a eficácia de uma vacina?

As vacinas contra o covid-19 estão sendo produzidas em massa, apesar da lenta entrega para a população, muitos questiona a eficácia dos imunizantes. São porcentagens que causam confusão, se uma vacina chega a ter 70% de eficácia em um determinado lugar, porque os números de outra região são alterados?

Os números podem parecer confusos mas a conta é bastante simples, o importante é não esquecer de que: independente da porcentagem que cada vacina atinge, ela vai te oferecer um nível aceitável de proteção.

Obviamente alguns protegem mais do que outras, porem o objetivo é o mesmo, imunizar contra o vírus e doenças infecciosas.

Tambem é bom saber a diferença entre eficiência e efetividade. Para isso vamos começar do princípio cientifico básico.

Os testes das vacinas

O desenvolvimento da vacina inclui dezenas de testes, divididos em várias etapas. No entanto, podemos dividir o experimento em dois estágios: o primeiro estágio é concluído apenas em experimentos pré-clínicos com animais, e o segundo estágio é dividido em quatro outros estágios em humanos.

Como se mede a eficácia de uma vacina?
Como se mede a eficácia de uma vacina?

O processo para todas essas pessoas é basicamente o mesmo: um grupo toma um imunizante e o outro toma uma solução de placebo, que nada mais é do que uma substância neutra que não tem efeito no corpo.

A primeira fase inclui testes em animais. Eles tomam uma vacina ou um placebo e, após um mês, verificam se uma resposta imunológica se desenvolveu.

Em sequência, os animais também são deliberadamente expostos a vírus, algo que os humanos raramente fazem por meio de medidas morais e de segurança.

O Reino Unido até aprovou um experimento que poderia realizar tal procedimento em humanos, mas aparentemente a ideia não teve avanço.

Se uma vacina testada em animais mostrar proteção satisfatória contra doenças, ela será testada em humanos. É aqui que os cientistas começam a observar o comportamento da vacina em quatro estágios diferentes.

Fase 1

Na Fase 1, existem apenas algumas dezenas de voluntários, e o objetivo é verificar se a vacina é segura, o que significa que ninguém terá reações adversas graves ou adoecerá.

Fase 2

Se tudo correr bem, a segunda fase terá início e mais pessoas receberão a vacina e as doses de placebo. Nesse estágio, a segurança ainda é importante, mas o objetivo da pesquisa é medir se a vacina pode produzir uma resposta imune – assim como nos testes pré-clínicos em animais.

Como se mede a eficácia de uma vacina?
Como se mede a eficácia de uma vacina?

Vale lembrar que em todas as etapas do teste, nenhum voluntário humano jamais esteve em contato direto com o vírus ou bactéria.

Fase 3

A eficácia da vacina só pode ser calculada a partir do estágio 3, que é a etapa final e envolve testes clínicos em milhares de voluntários humanos.

Também na terceira fase, os cientistas mediram se a vacina proporcionaria proteção de longo prazo, pois as pessoas ficam naturalmente expostas ao vírus todos os dias, em vez de realizar testes fechados em laboratório.

Foi nesse momento particular que os cientistas observaram o número de novos casos da doença no grupo placebo e no grupo vacinado.

Devido ao impacto dos fatores imunológicos, espera-se que menos casos sejam registrados no grupo da vacina em comparação ao grupo do placebo.

No entanto, isso não exclui completamente a ocorrência de efeitos colaterais – os chamados “eventos” – geralmente principalmente em pessoas que tomam placebos, mas não exclusivamente em um grupo. Os sintomas mais comuns são geralmente febres, dor de cabeça e fadiga.

Como se mede a eficácia de uma vacina?
Como se mede a eficácia de uma vacina?

fase 4

Há também o estágio 4. No estágio final, os cientistas observaram o nível de proteção muito depois da primeira dose da vacina.

Por exemplo, as primeiras vacinas contra Covid-19 foram testadas em humanos há menos de um ano, e a boa notícia é que elas ainda apresentam uma alta resposta imunológica.

Além disso, a vacinação em massa na população em geral começou bem no início da quarta fase.

Eficácia x Efetividade

A eficácia é um fator medido em um ambiente controlado e sob um número predeterminado de pessoas. Portanto, quando a vacina atinge certo efeito, significa que produziu o efeito que os cientistas esperam em testes de laboratório clínico.

Os métodos de cálculo da eficiência do trabalho diferem entre as empresas farmacêuticas responsáveis ​​pela fabricação de imunizantes.

Por exemplo, a Pfizer registrou 170 incidentes e determinou a eficácia da vacina contra Covid-19; CoronaVac, desenvolvida pelo Instituto Butantan em cooperação com o laboratório chinês Sinovac, estipula que quando 61 pessoas adoecerem, sua eficácia.

Se uma vacina for 95% eficaz (como o programa de imunização Pfizer / BioNtech contra Covid-19), isso significa que 95 em cada 100 pessoas estão protegidas desta doença.

Como se mede a eficácia de uma vacina?
Como se mede a eficácia de uma vacina?

Por sua vez, o CoronaVac tem uma taxa efetiva de 50,38%, o que significa que pode proteger 50 em cada 100 pessoas de contrair o novo coronavírus.

Obviamente, quanto melhor o efeito, menor será a produção a longo prazo, porque o número de vacinações para conter a epidemia de covid-19 diminuirá. No entanto, vacinas menos eficazes não devem ser descartadas.

Aqui, foi estudada a porcentagem sobre a eficácia da vacina e a infecciosidade de uma determinada doença nas formas leve, moderada e grave.

Existem muitas maneiras de avaliar a eficácia, mas em todos os estudos clínicos usados consegue medir a eficácia da prevenção dos sintomas.

Além disso, outros efeitos podem ser demonstrados com base em resultados secundários, como prevenção da transmissão, casos graves ou hospitalização.

A melhor prova vem do próprio CoronaVac: embora a eficácia geral seja de 50,38%, o imunizante do Instituto Butantan tem eficácia de 78% para casos leves e 100% para casos moderados e graves.

Ou seja, das 100 vacinadas, nenhuma desenvolveu a forma grave da doença. Eles podem ter contraído a doença, mas não há necessidade de internação, apenas as reações adversas esperadas, como febre e cansaço.

Todos esses números referem-se a testes clínicos em laboratório e medem a eficácia das vacinas. Quando a agência de saúde aprovou a aplicação da solução de imunização à população, os cientistas passam a observam sua eficácia na Fase 4.

A diferença é: a eficácia é analisada em um ambiente ou grupo controlado e monitorada por um período de tempo; a eficácia é comprovada quando a vacina é testada no mundo real, milhões de pessoas podem viver normalmente, evitando assim que mais pessoas adoeçam ou sejam hospitalizados.

Portanto, os especialistas afirmam que nenhuma vacina é considerada 100% eficaz. Mesmo assim, sua eficácia está mais relacionada ao número de pessoas vacinadas.

Como medida preventiva, as vacinas são coletivas.

Nenhuma vacina pode proteger totalmente porque a maior parte da proteção que ela oferece dependerá da cobertura vacinal. É por isso que é importante tratar as vacinas como medidas preventivas, coletivas e de saúde pública, e não como indivíduos.

A imunidade natural é mais eficaz?

O fato é que as vacinas desempenham um papel importante na prevenção de doenças. Mas e quanto à imunidade produzida pelo nosso organismo? É mais eficaz do que a resposta imunológica gerada pela vacina?

Isso depende da doença e da vacina. Muitas doenças têm imunidade natural – muito maior do que a própria vacina. No caso da caxumba, por exemplo, a gente vai perdendo a imunidade natural e precisa de reforços, porém essa imunidade é duradoura. Geralmente, as doenças que causam viremia (quando o vírus cai na circulação sanguínea) fornecem uma boa imunidade. Doenças respiratórias, por sua vez, tendem a ter uma proteção menos potente. Com relação ao novo coronavírus, ainda não sabemos por quanto tempo essa imunidade vai permanecer, porém indícios preliminares apontam que essa proteção não será muito curta, mas também não muito longa.

Denise Garrett, vice-presidente do Instituto Sabin de Vacinas, em Washington, em entrevista ao Gizmodo Brasil.

Vacinas não são remédios

Muitas pessoas podem eventualmente confundir vacinas com medicamentos ou mesmo tratamentos. Mas não é a mesma coisa. A vacina é uma medida preventiva. De certa forma, ela ativa seu sistema imunológico para que você possa responder aos medicamentos que infectam seu corpo.

Você provavelmente não vai virar um jacaré

De fato, o desenvolvimento de uma vacina contra covid-19 (uma nova doença) é muito rápido, e os médicos, e cientistas ainda não a compreenderam completamente, o que pode levantar questões sobre segurança. Afinal, um programa de imunização foi criado e testado em um tempo curto e recorde.

Como se mede a eficácia de uma vacina?
Como se mede a eficácia de uma vacina?

No entanto, os especialistas afirmaram categoricamente que a vacina usada na população é segura porque todos os procedimentos de segurança são implementados nos testes clínicos de fase 1 e fase 2.

Além disso, os cientistas destacaram que esse avanço só foi possível graças aos bilhões de dólares em investimentos globais que surgiram desde o momento que começaram as pesquisas, por isso é exigido uma ação rápida.

Em geral, chegou-se a um consenso de que uma vacina contra covid-19 só pode aumentar o poder da ciência neste momento crítico da pandemia.

Quando vimos que a ciência poderia produzir uma vacina em tão curto espaço de tempo, foi realmente extraordinário. Se eles me dissessem no início da pandemia que iríamos vacinar as pessoas em dez meses, eu definitivamente seria contra. Sou super cético. Mas acredito que ciência funciona, e agora depende de nós agir e nos vacinar.

1 comentário
  1. […] risco de contaminação do covid-19” é de 0,48% na população que usa óculos, em comparação com 1,35% dos que não usam. A […]

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